Campeão nos X Games 16, Ítalo Penarrubia relembra a vitória

"Eu tô feliz porque eu ganhei os X Games, não foi qualquer campeonato." Com essa frase, o paulista de Santo André Ítalo Penarrubia comemorou sua vitória nos X Games 16. O jovem de 19 anos é um dos vert riders brasileiros com mais variedade de manobras. Mesmo sendo amador, anda no nível de profissional top. Todas suas manobras são altas, técnicas, velozes e com muito estilo. A única deficiência é a falta de constância em competições. E por incrível que pareça, a primeira vez que ele acertou uma sequência de manobras numa final, foi nos X Games. Ele nunca havia ganhado uma competição.
A medalha de ouro foi parar no pescoço certo, na hora certa e o campeão reconhece o valor dessa conquista. Emocionado, após a prova ele comemorou muito, sem economizar lágrimas. “Fiquei emocionado pra caramba. Na verdade, estavam muitos brasileiros que iriam competir, que estavam lá pra ver. Todos brasileiros estavam juntos. Se você ver a filmagem da ESPN, você escuta todos brasileiros gritando, pulando. Eu gritando, chorando. Até hoje eu não paro de chorar. É um choro de felicidade, de graças a Deus. Sem dúvida, foi uma das melhores emoções da minha vida”, conta Ítalo, que batalhou muito pra essa conquista.


Mestre reconhece feito de Penarrubía.
Bob Burnquist, 19 vezes medalha nos X Games, comentou via o seu twitter o feito de Penarrubia.
"Eu tava la e vi! O Italo andou muito... Andou tanto que ele passou pra Pro quando a volta acabou! Da lhe ..." Disse Bob.

"  Eu tava la e vi!   O Italo andou muito... Andou tanto que ele passou pra Pro quando a volta acabou! Da lhe ..."
--Bob Burnquist

undefinedO campeão do Vertical Amador dos X Games 16, Ítalo Penarrubia
Foto: Aguinaldo Melo

Leia abaixo entrevista completa com Ítalo:

Você sentiu pressão de correr ali?
Então, eu não sou muito de pressão de correr campeonatos. Eu não fico nervoso. Eu falo, “todos os dias nos treinos eu acerto, então eu tenho que acertar”. Pelo menos isso, né? E nos X Games, o que aconteceu, é que eu consegui acertar e fazer uma boa execução. Na verdade, quando eu vou pra campeonato, eu vou pra jogar tudo. Se eu não acertar, eu vou lá pros últimos. Mas se eu acertar, é pra dar trabalho.

Essa linha que você ganhou os X Games é uma linha do dia a dia, consegue acertar sempre?
Vou te falar, a linha que valeu mais, eu dropei e falei, “o que vier na minha cabeça eu vou fazer”. Porque eu tava fazendo as linhas, acertando, aí comecei a me empolgar e deu no que deu. Eu ganhei e tô com essa medalha aqui.

Tem mais manobras que ficaram de fora?
Eu acho que dei só três variações de 540. Eu tenho uns oito 540. Flip eu dei uns quatro ou cinco. Eu tenho mais de 15 flips. Eu dei uma na borda, e tenho mais de 20 pra mandar.

Oito 540?
Melon, Mute, Tailgrab, indy, nollie indy, 540 varial, bodyvarial e 540 nosegrab.

Tem alguma variação nova que você tá tentando?
Eu tentei o 720 duas vezes. Essa eu preciso colocar na linha. Não é difícil, mas também não é fácil. É uma manobra que você precisa estar fisicamente bem. Você precisa estar treinado, senão a queda é bem forte. Eu preciso colocar na linha, porque a cada dia que passa a evolução tá melhor.

Qual foi a diferença que você sentiu voltando pra realidade das rampas brasileiras?
É bem difícil. Eu cheguei aqui e pensei que estava andando numa minirrampa. Os halfs lá de fora tem, mais ou menos, 4,30m, e aqui no Brasil, 3,80m, 4m no máximo. Então é bem difícil. Mas foi com essas rampas que eu consegui chegar onde cheguei. Então não tem do que reclamar. Voltei pro Brasil e me acostumei de novo. Quando você volta dos EUA pra andar aqui é bem difícil.

Essa única rampa disponível pra andar é a rampa dos seus patrocinadores, a Urgh e a Tent Beach?
Sem dúvida. A Urgh e a Tent Beach, agradeço muito a eles. Eles estava até pensando em fechar, mas se juntaram e agora vão colocar madeira nova, o Skatelite. O half e a minirrampa inteira serão recapeadas. Vai ficar quase um half igual lá de fora.

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Você consegue imaginar seu skate sem essa rampa?
Pra falar bem a verdade, não teria, né? Porque, São Bernardo não tem manutenção. O Otávio Neto foi andar e rasgou o shorts, a perna, por causa de parafuso levantado. Então não tem half. Tem o galpão do (Sandro Dias) Mineiro, mas quase ninguém anda lá. Mas o half é muito bom também. Eu sempre agradeço o half da Tent Beach, e tudo que precisar fazer pra ajudar eu ajudo. O que não pode acontecer é o half acabar. O incentivo dos patrocinadores não pode acabar.

Esse ano estão acontecendo bem menos campeonatos amadores do que ano passado. Tá sentindo falta?
Eu tô me dedicando mais aos campeonatos lá fora, mas eu sinto falta sim. Mas a Flash Power, a Urgh e a Tent Beach estão pensando em fazer alguns campeonatos. Se não continuarem os incentivos ao skate, não vai pra frente.

Quais os planos agora para os próximos meses?
Tô pensando em ir lá pra fora estudar inglês. Eu chego lá, quero conversar com a galera. Quero ir pra lá porque tem todos os tipos de pistas, megarrampa, bowl, street.

O que você tá fazendo no Brasil agora, além de andar de skate?
Tô estudando. Tô até pensando em fazer faculdade de gastronomia, eu gosto de cozinhar.

Faculdade você pensa em fazer aqui no Brasil?
Tem a faculdade lá fora também, que é a mesma. Então eu posso fazer um pouco lá e um pouco aqui. Só tô em dúvida em que tipo de faculdade eu vou fazer, mas vou fazer.

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